Boa parte das mulheres normais já encostou seus lábios nos das amigas. Algumas usaram a língua. Outras foram além e partiram para o agarra. Muitas vezes no banheiro. A minha primeira vez foi no toalete de um barzinho. Estava no primeiro ano da faculdade. Lá pelas 3 da manhã, queria retocar a maquiagem e chamei duas colegas que estavam sentadas ao meu lado na mesa. Ninguém se conhecia direito. A Paula é uma loira natural — olhos verdes, sardas, magra e alta. A Julia faz o tipo mais brasileira — morena de olhos e cabelos escuros, gostosa de apertar. O banheiro era pequeno, uma peça única. Enquanto abria minha bolsa para procurar o batom, vi de canto pelo espelho as duas se beijando na parede. Fiquei paralisada. Beijo bom, molhadaço. Quando elas se soltaram, vieram na minha direção. Como tinha acabado de virar o quarto shot de tequila na mesa, nem resisti. Enquanto a Paula beijava minha boca, a Julia beijava meu pescoço e passava a mão nas minhas coxas. Logo elas trocaram de posição. A Paula baixou minha calcinha e foi direto com a mão lá. Nunca um homem foi tão atrevido comigo. Ficamos assim por algum tempo, impossível precisar quanto. Na segunda vez em que socaram a porta, me dei conta de que não conseguiria gozar ali. Foi por pouco. Voltamos para a mesa como se nada tivesse acontecido. As mulheres são umas dissimuladas mesmo. Trocamos duas palavras sobre o ocorrido no dia seguinte, algo do tipo “que loucura a bebedeira ontem, não?”. E só.
Nelson Rodrigues defendia que toda mulher bonita é um pouco namorada lésbica de si mesma. Até as feias descobrem um ângulo que as favorece — o desenho da boca entreaberta, o decote, as pernas cruzadas — e gastam alguns segundos do dia se admirando, como em um namoro velado. Nós achamos o corpo feminino mais bonito que o masculino. Da mesma forma que vocês, babamos ao ver uma revista de mulher pelada. Ao assistir a um filme pornô, prestamos mais atenção na gostosa do que no pau gigantesco deles. O que a gente não entende bem é o fascínio que os homens têm pela imagem de duas mulheres se pegando. Divirto-me com a cara que vocês fazem ao presenciar duas jovens atraentes indo juntas ao banheiro. Aquele olhar fixo embasbacado que os homens não conseguem disfarçar. Afinal, mesmo que a intenção das mocinhas seja simplesmente fazer xixi, uma verá a outra nua da cintura para baixo. Imaginar essa cena proporciona ao menos 5 segundos de alegria para vocês. Mulheres peladas juntas, seja qual for a circunstância, é sucesso de audiência. Nunca falha.
Repeti aquela experiência algumas vezes, com outras meninas. Até cheguei a transar com uma. Quando eu penso nisso, me vem à cabeça um pudim caramelado gostoso, daqueles de vó. As mulheres são macias, doces, lisinhas, perfumadas, delicadas. A mão desliza pelas curvas do corpo. O sexo dura muito mais tempo, porque a gente fica se massageando, se esfregando e se beijando por horas. Goza 500 vezes. Mas eu ainda prefiro os homens, mesmo com o sono incontrolável que os possui como um encosto depois da primeira gozada. O sexo com mulher, para mim, é incompleto. Primeiro, falta pegada. Segundo, ter o outro dentro de você faz toda a diferença. Preciso reconhecer que o pau é a melhor invenção de todos os tempos. Nenhuma Scarlett Johansson é capaz de me enlouquecer mais do que o meu namorado.
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