quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Não seja uma vítima da mulher-vítima


Sua gastrite resolveu atacar de novo e não deu tempo de diminuir no cabeleireiro a juba primata que você carrega acima de seu cérebro, que, hoje, só precisa de descanso, silêncio e alguma bobeira na televisão. Isso deveria ser simples para uma mulher entender. Hoje você não tá afim de dirigir até a casa dela, ouvir sobre como ela odeia tal colega de trabalho e falar coisas que ao mesmo tempo soem dóceis, inteligentes e decididas. Você quer dormir sem tomar banho, jantar salgadinho murcho e dormir torto no sofá babado.

Não significa que você tenha dúvidas a respeito do amor que sente. Não quer dizer que você esteja com uma modelo internacional ou com sua vizinha gordinha, em casa, ambos nus, comemorando essa mentira deslavada que você inventou pra poder pular a cerca. Não é porque você não sente saudades ou desistiu de ser galanteador agora que já ganhou a moça. Você, meu amigo sofredor, tem todo o direito de simplesmente não estar a fim de vez em quando e elas definitivamente não têm o direito de transformar isso em um problema.

Mas a mulher-vítima não trata um homem como um parceiro de vida. Um humano normal com vontades, preguiças, indolências e flatulências. Ela trata o homem como um sádico algoz, pronto para maltratá-la, enganá-la e acabar com sua mísera vida, que é assim desde a época em que seu papai não a elogiava como ela queria. E não importa o que você faça, nunca será o suficiente. Não importa que você equilibre qualidades com defeitos, os defeitos vão sempre sobressair. E então, já que você é esse bosta de ser que só mal lhe faz… por que ela não te larga? Porque ela tem o desejo inconsciente de ser maltratada. Ela idealiza o chicote em suas mãos. Ela precisa sofrer e te escolheu pra essa fantasia. Ela adora pensar que você não presta.

A mulher-vítima não entende que você precisa trabalhar. Ela acha que está sendo renegada, preterida, ignorada, humilhada, abusada, explorada, judiada. Ela não entende que você tem amigos, família e, se bobear, até de seu sono ela vai reclamar: como assim você dorme ao invés de me idolatrar 24 horas por dia?

Por que você fez isso comigo justo no dia tal? Por que você ta me falando isso justo hoje que eu tô num dia tal? Por que você não fez tal coisa justo quando eu mais precisava de tal? Por que você fez isso sabendo que eu tenho trauma de tal coisa? Se todo dia é um péssimo dia para errar e se a sua mulher conjuga cobranças com essas estruturas de frase, você está sendo vítima da mulher-vítima.

No começo, você pode até achar que ela age assim tamanha a segurança: se ele não for perfeito, eu berro; afinal, não me faltam homens querendo saciar todas as minhas vontades. Mas não se engane, trata-se do ser mais inseguro do planeta: ele não me ama e eu não suporto isso; portanto, vou querer provas de seu amor a cada 2 segundos e, como isso é impossível, eu vou me sentir uma completa infeliz e, mais uma vez, vou me provar que nasci para sofrer e, porque sou viciada em ser vítima, essa sensação é a minha cheiradinha ou fumadinha ou picadinha ou pilulazinha diária. Seu “moreco” precisa de um médico, e não de um homem.

Repita comigo: você não tem de salvar uma mulher. Amar não significa virar pai ou médico ou benzedeiro de uma criatura. Você não tem de dizer a coisa certa na hora certa no dia certo com o sol refletindo em seus penetrantes olhos de super-homem. Você não tem de ter lido os livros e visto os filmes e baixado as músicas que ela planejou para não se sentir vítima, mais uma vez, do homem imperfeito. Você não precisa fazê-la gozar loucamente todas as vezes (mas quase todas é bom, isso é verdade). Vamos combinar que ela também não é perfeita (pra começar, ela é bem doida!) e, então, não tá com essa bola toda pra cobrar tanto assim. Vocês vão crescer juntos, com calma e paciência e respeito e equilíbrio, ou ela vai continuar esperando que você venha do céu para resgatá-la do inferno de seu cerebelo inquisidor (este sim o verdadeiro algoz).

Dê o amor que pode do jeito que der e, se ainda assim a vida dela continuar um mar de infortúnios, saiba que seu barquinho não tem nada pra fazer a não ser se arrancar antes de afundar nesse lodo de lágrimas de sangue. Talvez sem nenhum amor ela aprenda a dar valor para o amor possível.

A rainha das preliminares

São 8h15 da manhã de uma segunda-feira qualquer em São Francisco, na Califórnia. Cmeça mais ma aula na escola de ioga OneTaste. Nos primeiros 15 minutos, o grupo de cerca de 20 alunos faz alongamento. Os 15 minutos seguintes são dedicados a exercícios de respiração. No último terço da aula, a turma é separada em casais. Enquanto os homens colocam luvas descartáveis, as mulheres se deitam de pernas abertas em tapetinhos no chão. Até o relógio marcar 9 horas, eles vão se dedicar a massagear o clitóris das colegas com os dedos. O objetivo é fazê-las gozar. Várias vezes, de preferência. Quando termina a sessão, o casal fica abraçado por alguns segundos, diz “tchau” e vai embora, como se nada tivesse acontecido. Eles podem repetir a parceria em outra aula. Ou não.

A fundadora da OneTaste, a americana Nicole Daedone, acredita que o ato de transar perdeu toda a graça com a revolução sexual — que, aliás, começou em São Francisco no fim da década de 60. Em sua opinião, da mesma forma que banalizamos a comida com o fast food, o sexo casual transformou a transa de qualidade em peça de museu. Inspirada pelo movimento italiano da slow food, que valoriza refeições feitas de maneira calma e preparadas com ingredientes de qualidade, Nicole criou o slow sex movement. “Hoje as pessoas estão mais preocupadas com a performance do que com dar e receber prazer”, afirmou ela a ALFA. Para a guru, o remédio para todos os males do mau sexo é o sujeito aprender a masturbar a companheira. “Com essa técnica, eu ensino os alunos a dar o que elas querem.” Você pode virar o guru da masturbação sem sair de casa: a OneTaste oferece consultoria online pelo site www.onetaste.us; se quiser, também pode fazer um curso intensivo na sede da escola ou na filial de Nova York.

Antes que você pergunte, o final feliz nas aulas é só para mulheres.


Faça em casa
Nicole Daedone ensina como virar o homem da mão santa

1- Esqueça as preliminares apressadas. Dedique 15 minutos para fazer sexo oral ou masturbar a mulher. O objetivo é fazê-la gozar mais de uma vez.
2- Explore áreas não óbvias. Que tal beijar e massagear os cotovelos dela?
3- Experimente desacelerar os movimentos e ficar mais tempo transando. No slow sex, não há limite mínimo de velocidade. Só tenha cuidado para não dormir.
4- Faça o possível para não se distrair durante a transa. O placar do jogo e as contas a pagar são inimigos mortais.
5- Dê o feedback do que você está sentindo e do que você quer e incentive-a a fazer o mesmo. Comunicarse é a maneira mais fácil de criar intimidade.

Fidelidade é igual a churrasco de chuchu

Entre os milhares de textos que eu já escrevi, editei, aprovei, um me surpreendeu. Era sobre uma daquelas pesquisas de comportamento que só os americanos esmiúçam bem. Segundo os resultados, um dos quatro tipos de mulher que mais atraem os homens é a… bem casada. E hoje sou uma delas. Não, não tenho a intenção aqui de despertar nos leitores de ALFA novas paixões, casos extracurriculares, rolinhos platônicos. Nem testar meu poder de sedução para fazer ciúme no meu maridão. Se bem que as revistas femininas, mês sim, mês também, orientam as leitoras a nunca dar total segurança, deixando o parceiro um tantinho desconfiado de que a mulher amada poderá um dia chutar a porta e partir sem pré-aviso, como certas heroínas da literatura e do cinema. Jogo da conquista eterno, meu caro.

Como eu disse, estou bem casada. Bem na fita. Bem consciente de que escolhi esse homem; e é com ele que eu quero estar, brindar, batalhar, ganhar dinheiro, viajar, construir castelos, fazer amor e sexo pra valer. Não é com o personal trainer, com o vizinho que cozinha tão bem a ponto de espalhar aroma de alecrim no corredor ou com o irmão mais novo da amiga cheio de testosterona para trocar.

Para mim, é inesquecível a definição que minha fonte de reportagens preferida sobre relacionamentos, o médico psiquiatra Paulo Gaudencio, dá para a fidelidade: “É como churrasco de chuchu”. Ele tem razão: a monogamia contraria a natureza humana, biologicamente falando, e não tem a mesma graça que a diversidade no plano horizontal é capaz de oferecer. Homens e mulheres que não sentem desejo erótico pela novidade já morreram e não sabem ainda. É ela que move o tesão.

Porém… a gente é fiel quando há (ótimas) compensações. Intimidade, cumplicidade, afeto trazem uma sensação de completude que não vale a pena dispensar — ao menos na opinião de uma bem casada, que prefere investir para dentro da relação a “lavar roupa para fora”, o que desperta nos homens o lado carente sob os pensamentos de “que sorte tem o homem dela, queria ser eu”.

A propósito, se você quer que a sua amada faça parte do grupo das mulheres bem casadas, e assim matar a torcida do seu time do coração e os engravatados com quem trabalha de invejinha e dor de cotovelo, saiba que uma das colas afetivas mais poderosas se chama ad-mi-ra-ção. Pondo a sugestão em águas cristalinas: seja um homem que alimenta admiração em sua mulher. Diariamente, sem folga nem nos feriados. Eu admiro o meu principalmente pela inteligência, por me escutar (e também me alertar quando banco a ingênua no dia a dia…), por trabalhar feito doido naquilo que adora e ainda assim cavar um(uns) tempinho(s) para nós. Sua mulher pode admirá-lo porque faz omeletes supercriativos, porque realiza bem cinco posições do Kama Sutra pelo menos (não tem desculpa, existem 529!), porque é um profissional prestigiado, porque é cheiroso e viajado, porque segura a onda dos filhos sem pôr toda a responsabilidade no colo dela…

Escolha seu cardápio de motivos para despertar admiração e ela vai saborear um benfeito churrasco de chuchu lambendo os finos dedos. Repetir, agradecida. Ficar viciada em você. O bom é que faz bem ao coração e não engorda.

Toda mulher bonita é lésbica de si mesma

Boa parte das mulheres normais já encostou seus lábios nos das amigas. Algumas usaram a língua. Outras foram além e partiram para o agarra. Muitas vezes no banheiro. A minha primeira vez foi no toalete de um barzinho. Estava no primeiro ano da faculdade. Lá pelas 3 da manhã, queria retocar a maquiagem e chamei duas colegas que estavam sentadas ao meu lado na mesa. Ninguém se conhecia direito. A Paula é uma loira natural — olhos verdes, sardas, magra e alta. A Julia faz o tipo mais brasileira — morena de olhos e cabelos escuros, gostosa de apertar. O banheiro era pequeno, uma peça única. Enquanto abria minha bolsa para procurar o batom, vi de canto pelo espelho as duas se beijando na parede. Fiquei paralisada. Beijo bom, molhadaço. Quando elas se soltaram, vieram na minha direção. Como tinha acabado de virar o quarto shot de tequila na mesa, nem resisti. Enquanto a Paula beijava minha boca, a Julia beijava meu pescoço e passava a mão nas minhas coxas. Logo elas trocaram de posição. A Paula baixou minha calcinha e foi direto com a mão lá. Nunca um homem foi tão atrevido comigo. Ficamos assim por algum tempo, impossível precisar quanto. Na segunda vez em que socaram a porta, me dei conta de que não conseguiria gozar ali. Foi por pouco. Voltamos para a mesa como se nada tivesse acontecido. As mulheres são umas dissimuladas mesmo. Trocamos duas palavras sobre o ocorrido no dia seguinte, algo do tipo “que loucura a bebedeira ontem, não?”. E só.

Nelson Rodrigues defendia que toda mulher bonita é um pouco namorada lésbica de si mesma. Até as feias descobrem um ângulo que as favorece — o desenho da boca entreaberta, o decote, as pernas cruzadas — e gastam alguns segundos do dia se admirando, como em um namoro velado. Nós achamos o corpo feminino mais bonito que o masculino. Da mesma forma que vocês, babamos ao ver uma revista de mulher pelada. Ao assistir a um filme pornô, prestamos mais atenção na gostosa do que no pau gigantesco deles. O que a gente não entende bem é o fascínio que os homens têm pela imagem de duas mulheres se pegando. Divirto-me com a cara que vocês fazem ao presenciar duas jovens atraentes indo juntas ao banheiro. Aquele olhar fixo embasbacado que os homens não conseguem disfarçar. Afinal, mesmo que a intenção das mocinhas seja simplesmente fazer xixi, uma verá a outra nua da cintura para baixo. Imaginar essa cena proporciona ao menos 5 segundos de alegria para vocês. Mulheres peladas juntas, seja qual for a circunstância, é sucesso de audiência. Nunca falha.

Repeti aquela experiência algumas vezes, com outras meninas. Até cheguei a transar com uma. Quando eu penso nisso, me vem à cabeça um pudim caramelado gostoso, daqueles de vó. As mulheres são macias, doces, lisinhas, perfumadas, delicadas. A mão desliza pelas curvas do corpo. O sexo dura muito mais tempo, porque a gente fica se massageando, se esfregando e se beijando por horas. Goza 500 vezes. Mas eu ainda prefiro os homens, mesmo com o sono incontrolável que os possui como um encosto depois da primeira gozada. O sexo com mulher, para mim, é incompleto. Primeiro, falta pegada. Segundo, ter o outro dentro de você faz toda a diferença. Preciso reconhecer que o pau é a melhor invenção de todos os tempos. Nenhuma Scarlett Johansson é capaz de me enlouquecer mais do que o meu namorado.

Vibradores e camaradagem

Minha namorada viajou e eu descobri, nas coisas dela, um vibrador que, naturalmente, é maior do que “eu”. Sim, “eu”, ou seja, “meu pênis”. Bom, isso quer dizer que ela não me quer mais? Julio Tattaglia, de Salvador, BA
Primeiris, eu não quero saber do que tu chama teu pinto. Segundis, toma tenência, rapaz. Quem tem medo de borracha é bandidis. A doutora especializada em sexo Vera Vaccari ligou pro Mussunzinho aqui e disse que vibrador não é substitutis. “Isso não significa necessariamente que ela não goste mais do rapaz. Ter um vibrador em casa só uma aneira que ela tem de viver a própria sexualidade. A paranoia do tamanho pode ser um pouco de insegurança, quando falta conversa. O homem tem de trabalhar esse medo.” Então tira esse forévis da cadeira e vai conversar com a tua neguis. Porque… “se não houver diálogo sobre as fantasias e as necessidades, o vibrador pode ser melhor que o homem mesmo”. Aí, meu querido, pode encomendar o caixão e a vela pretis porque só resta chorarzis.

Um amigo do trabalho me pediu para escrever uma carta de recomendação, mas eu acho que ele manda muito mal. O que fazer? Ser sincero e perder o amigo ou mentir e queimar meu filme? André Avelino, de Curitiba, PR
Mas isso não é um amigo, é um encostis. Cuidado, bacharel, senão tua reputação vai para o vinagre. Espera aí. O pessoal ta pedindo pra eu deixar um camaradis falar aqui. Com a palavra, Eduardo Ferraz, consultor na área de gestãozis de pessoas. “Perca o amigo, mas não perca o juízo! Uma carta de recomendação pode ser enviada para dezenas, às vezes centenas, dependendo do desespero, de empresas e, em cada entrevista que seu amigo for mal, sua reputação vai junto.” Aí nem o camaradis pagando suas pinduretas no bar do alemão. Tu sabe que quem não dança segura a criancis, então tem que falar a verdadis. Ele é teu amigo mas é incompetentis, então tu num faz a carta. Se ele quiser se empirulitar contigo, manda ele catar coquinho. E desce mais uma!
Mande sua pergunta para forumalfa@abril.com.br. O convidado da próxima edição será Sinhozinho Malta

Nua e Crua
A equipe feminina de ALFA explica os grandes enigmas das mulheres

“Quando ficamos com os olhos fechados durante uma transa, nem sempre estamos pensando em vocês. Isso não é um sinal de que a performance está ruim. Às vezes, precisamos de um estímulo aditivo para chegar ao clímax. E aí que vem à cabeça o filme pornô, o George Clooney ou até o vizinho. Mas não se preocupe com essa ‘escapada’. O que importa é o final feliz. Uma mulher satisfeita não tem motivo para pular a cerca.” (Por Ana Luiza Leal)